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O Homem de Aran (1934) - Extracto 2

Robert Flaherty (1884-1951)

Há uma diferença substancial entre a ficção deste documentário e a ficção de filmes como Tempestade - The perfect storm, de Wolfgang Petersen, ou O Tubarão , de Spielberg - talvez a diferença que faz do filme de Flaherty um documentário e destes filmes de suspense ou terror. O documentário é o género mais próximo do pensamento filosófico, uma vez que pretende constituir-se como um ponto de vista acerca da realidade observada. A montagem nunca é inocente e revela sempre um pensamento sobre (seja pelas legendas, seja pela voz-off, seja pela eleição das imagens e das sequências).

O documentário revela também que toda a verdade-testemunho é ficcional, porque preparada antes de apresentada. Por mais próxima que seja a adequação ao sentimento, o que sentiam os elementos da família de pescadores de Aran era necessariamente é outra coisa daquela que nos parece...

O homem de Aran (1934) - extracto 1

Robert Flaherty (1884-1951)

O confronto entre homem e natureza quase sempre acrescentou humanidade ao homem. Assim foi, enquanto manteve o elo, enquanto, resistindo, vivia dela, natureza, e não a agredia. Flaherty dá-nos um fresco intenso dessa realidade nesta sua obra-prima.

Nanook o Esquimó (1922) - extracto 2

Robert Flaherty (1884-1951)

"A ideia do documentário, em suma, exige apenas que as questões de nosso tempo sejam trazidas para a tela de uma qualquer maneira que estimule nossa imaginação e torne a observação destas questões um pouco mais ricas que até então. De um certo ponto de vista, confunde-se com o jornalismo; de outro, pode elevar-se à poesia ou ao drama. E de outro ainda, a sua qualidade estética resulta simplesmente da lucidez da exposição."

Robert Flaherty (1924)

Fonte da citação

Nanook o Esquimó (1922) - extracto 1

Robert Flaherty (1884-1951)

Flaherty foi um dos pioneiros do documentarismo, se bem que já alguns dos primeiros filmes dos irmãos Lumière são «documentais», no sentido em que são certificados de eventos e realidades.

Mas todo o documentário encerra, enquanto extracção, selecção e montagem, um carácter ficcional. Um bom texto para o pensar, aqui.